Desliguei o celular, sentei no banco da praça, ao lado de um senhor de meia idade. Precisa parar um pouco para pensar, para raciocinar, meu destino estava em jogo. O senhor percebeu.
– Parece aflito, filho. Posso te ajudar em algo?
– Acredito que não...
– Pelo menos, me conte o que aconteceu. Talvez eu possa ajudar.
– Esta bem, esta bem – talvez desabafar seria o melhor para mim. – Estou entre duas escolhas difíceis...
– Pelos menos, pode escolher – disse o senhor, com um sorriso fraterno.
– Pois é.
– Mas, continua.
– Certo... Bom, resumidamente, eu tenho que escolher entre ficar aqui e ter um futuro brilhante ou ir atrás do amor da minha vida, sem saber o que me espera naquele fim de mundo.
– Então, é algo como ficar seguro com uma vida monótona ou se aventurar sem nenhuma segurança, certo?
– Mais ou menos isso... Viu? É difícil escolher.
– Faz me lembrar de quando eu tinha a sua idade. Tive que escolher, praticamente, do mesmo jeito que você.
– Me conte mais.
"O nome do meu amor era Amanda, nós namoravamos escondidos a uns meses, mas os pais dela queriam ir embora do Rio de Janeiro, iriam para o Nordeste, onde tinham alguns parentes.
Eu deveria ficar com a minha família, no mundo que eu já conhecia, em segurança, mas perderia o amor da minha vida. Ou iria atrás dela, abandonando tudo que sabia, indo para um novo mundo, onde não saberia o que iria encontrar..."
– E o que o senhor fez? – Antes que ele pudesse responder, uma senhora o chamou do outro lado da rua.
– Já vou, minha querida.
– É ela a Amanda? Vocês conseguiram ficar juntos? – Ele se levantou.
– Sempre existe uma terceira escolha, filho. – disse o senhor, com um grande sorriso. E foi
embora...
Terceira escolha...

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