Bebo mais um gole da minha xícara de café, um gosto amargo, alguém deveria ser demitido por isso. Mas não era só o gosto que eu deveria me preocupar agora.
Calafrios repentinos, senti uma dor no peito, senti medo. Seria um ataque cardíaco? Na minha idade isto poderia ser fulminante. De súbito, falta de ar.
Tentei chamar a secretária, mas não conseguia me mover, estava paralisado. A dor aumentava, não conseguia pensar, o medo se tornou pavor.
Seria aquela a minha morte? Era agoniante pensar que não poderia mais olhar nos olhos de minha mulher e dizer que a amo.
Solitário, miserável, desgraçado naquele meu último momento. Me sentia preso, impotente, incapaz.
Sentia o Ceifador atrás de mim, colocando a mão em meu ombro. Era cada vez mais difícil respirar, minha boca estava seca.
Tudo ficou escuro e silencioso. Era inútil lutar, apenas deixei acabar. Triste fim.
E, tão depressa como começou, tudo terminou. Droga, era apenas mais um ataque de pânico, preciso trocar de psicólogo.

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